Velocidade de Cruzeiro

Não tenho escrito muito por aqui, mesmo porque, ao meu ver, está tudo em velocidade de cruzeiro. Mariana está crescendo, já está com 5kg e 57 cm, com um padrão bem maior para as meninas da idade dela. É um amorzinho, tranquila, acorda uma ou duas vezes por noite para mamar, o que deixa a mim e a Mme.F. também tranquilos e com o sono em ordem.

A nossa rotina tem se limitado a receber visitas, algumas prazeirosas e outras que tem que colocar uma fábrica de vassouras atrás da porta. Vou colocar um sofá de concreto na sala para esse tipo de inconveniente. Além disso, assistimos a DVDs, pedimos comida em casa (nós que adoramos gastronomia e descobrir lugares novo, vamos ter que esperar algum tempo), ler livros e utilizar a internet. Ou seja, atividades que não põe o risco e são convenientes para a rotina da Mariana também. Ao meu ver, é até bom, temos economizado um bocado visto que nessa idade ela não gasta muito e nós, que costumavamos gastar com tais frugalidades como viagens e gastronomia, também economizamos.

Outro dia fizemos uma escapada e levamos a Mariana a um restaurante à Beira-mar, e pedimos uma moqueca de badejo (sem dendê pois Mme.F. comprometeria o leite). Ela adorou o clima, estava uma tarde ensolarada de inverno, uns 25 graus, muito aprazível, e o restaurante estava quase vazio. Já notei que Mariana gosta muito de passear. Quando colocamos ela na cadeirinha do carro ela dorme quase que instantaneamente, mas também com aquele sacolejo gostosinho quem não cochila, não é mesmo?

Bem, a vida tá isso…mansinha, mansinha…velocidade de cruzeiro. Como diria Drummond: “Êta vida besta, meu deus!”🙂

Na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na maminha e na…

Um fato curioso tem acontecido durante esse primeiro mês da Mariana. Mas não se refere a Mari e sim a Mme. F. Ela me fala que sente um desconforto quando amamenta. Para começar a Mari começa esfregando a boquinha até se acomodar no bico do peito. O processo no início demorava mais, mas agora ela logo se acopla e começa a mamar com todo aquele esforço. Depois de mamar ela fica muito engraçada, com aquela cara de que “deu onda” e um sorriso bobo no rosto. É muito divertido.

Bem, mas não é tão divertido para Mme.F. que sente arder um pouquinho. Ai que entra o fato curioso. Quando está amamentando e eu chego perto, ela tenta pegar o meu peito:

– Deixa eu fazer “alicatinho”, deixa? – diz Mme.F. com um olhar matreiro, com os dedos ameaçadoramente em forma de pinça.
– Pra quê? – falo eu, assustado.
– Pra você ver como é…o desconforto.
– Eu não. Ora, se você fala que tem desconforto eu acredito.
– Ah, não, na saude e na doença…lembra?

Aliás, parênteses, como eu li em um blog que não me lembro faz algum tempo, esse negócio de na alegria e na tristeza, na saúde e na doença não reflete bem as necessidades modernas…melhor seria se pensassemos em adequar as promessas matrimoniais para o mundo moderno, tais como:

  • Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?
  • Promete saber ser amigo e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?
  • Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?
  • Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?
  • Promete se deixar conhecer?
  • Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?
  • Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?
  • Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?
  • Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?

Isso sim seriam promessas adequadas, mas…e quanto o “alicatinho”?. Bem,  voltando ao tema, na confraternização do dia dos pais no final de semana o assunto veio à baila e a minha cunhada falou que fez a mesma coisa com o meu cunhado.

– É sim, dói um pouco, eu até tentei mostrar para ele como é! – Falou minha cunhada corroborando as atitudes de Mme.F. 

Essa coisa toda lembrou também a minha mãe. Meu pai sempre reclamou que ela quando achava algo com cheiro ruim, dizia: – Nossa, olha que cheiro ruim, cheira só?.  Obviamente ele não cheirava…mas a sensação de compartilhar o cheiro ruim dava um conforto para ela. Será que isso também se passa com Mme.F.? Que o fato de eu compartilhar o mesmo desconforto facilita para ela aceitá-lo? Não sou psicólogo, mas deve haver alguma explicação razoável para isso…se não houver, os psicólogos de plantão logo vão achar🙂

Viu só, ser pai é isso também. Não diz respeito só a Mariana mas sim a tudo que a cerca. Coisas assim você só se atenta quando está no meio do processo. E, no meu caso, preciso me distanciar um pouco para entender a real dimensão e tomar as ações necessárias para dar todo o suporte às duas, mãe e filha. Esse suporte psicológico à Mãe é muito importante, e se reflete direto na Mari. Pois, nesse início de tudo, o humor de uma é o da outra.

Video legal

Pra quem pensa que tem problemas, dá uma olhadinha nesse vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=z9HrXNx_nWA

Vai ver que a vida é muito mais simples que se imagina, e que os prazeres que se tem nela não precisam ser muito refinados.😉

Livro e Mousepad da Mariana originais

Semana passada fiquei pensando o que daria ao meu pai no dia dos pais. Queria dar-lhe um presente original, algo fora do eixo roupa-livro-cd. Eis que navegando pela internet descobri o fotolivro. A trapizonga é um barato! Você baixa um programa e configura, ou melhor, edita e monta um livro de fotos. Catei um monte de fotos digitais da Mariana e comecei a montar meu livro, depois peguei poemas de Fernando Pessoa, Cora Coralina, Cecília Meireles, e recheei o livro com sábias mensagens poéticas entre uma página ou outra. Ficou muito legal! Chegou essa semana o livro pronto, com capa-dura e tudo! Foi o maior sucesso no encontro do dia dos pais na propriedade da família F.

Bem, mas não foi esse o presente que dei ao meu pai. Para comprar o fotolivro entrei no site submarino, e lá descobri que eles fazem mousepads. Você manda a foto e…puft!…chega o mousepad na sua casa! E não é caro! Fiz dois. Depois foi só comprar uma bonita caixa de presentes, forrar com papel de seda branco, acomodar carinhosamente os mousepads com as fotos da Mari e pronto. Não preciso dizer que fez o maior sucesso com o Vovô.🙂

O Dia dos Pais

Hoje foi dia dos pais, meu primeiro dia dos pais. Mnha família e de Mme.F reuniram-se na propriedade da família F para uma grande confraternização em conjunto, e foi ótimo. Mas, de fato, a ficha de que sou pai ainda não caiu. Foi uma sensação estranha pois a Mariana ainda não pode se manifestar à respeito. Todos me davam congratulações, parabéns e faziam piadinhas sobre ser pai, mas quem de fato me dá o direito de festejar um “dia dos pais” não me disse nada, nem me deu presentes, só dormia e, de vez em quando, soltava um sorrisinho que me acalentava.

Creio que a sensação de ser pai de direito, mas não de fato…er…quer dizer, de direito porque esta lá, na certidão dela o meu nome, e certamente sou o pai…(pausa, pensando confuso)…o que me faz pai de fato. Mas isso é bem confuso pois o fato de ser pai, para mim, virá da formação do seu caráter, da sua educação, virá da distribuição de carinho, amor, compreensão, virá das estorinhas de noite, das cantigas de ninar, virá do baninho, da preparação das comidinhas, virá das brincadeiras, das cócegas na barriga, ou seja, de todas as ações que me farão um pai de fato. Pois colocar um filho no mundo, apenas, não faz de você um pai. Para merecer um dia dos pais, você terá que receber um sorriso sincero e orgulhoso de quem é a razão de você ser um. Deve ser o melhor presente que um pai pode receber no seu dia.

P.S.: Foi mais que demais receber um parabéns pelo dia dos pais do meu pai. Uma sensação indescritível, de orgulho, de alegria e de respeito por aquele que, ao lado de minha mãe, é o meu maior exemplo de vida. Te amo pai.

Antidesabafo de Pai

Recebi um comment da Lu Ivanike que tem um site chamado Desabafo de Mãe pedindo para eu escrever um desabafo para colocar no site dela. Primeiramente, agradeço a Lu pelo interesse e quero parabenizá-la pelo esmero do site. Gostei mesmo. De inicio pensei que era um site só de desabafos, mas conta com toda sorte de assuntos sobre relação pais e filhos. Vou virar freguês. O Blog dela também é um barato.

Voltando ao tema Desabafo. Segundo me consta, a palavra significa alívio, desempedimento de algo que está lhe angustiando ou sufocando. Talvez eu ainda esteja anestesiado pelo nascimento da Mari e a inenarrável explosão de sentimentos da graça de ser pai, e talvez eu realmente poderei precisar desabafar por algum motivo no futuro. Mas a verdade é que no momento está tudo tão maravilhoso que não tem nada para desabafar. O Chorinho é maravilhoso, a caquinha é maravilhosa, o latido do Lucky (meu maltês) em sintonia com o chorinho são maravilhosos, acordar de noite e de madrugada está maravilhoso. Lu, não sei se você já percebeu, no momento eu sou o Pai menos indicado do mundo para fazer qualquer tipo de desabafo.🙂

O momento é de ouvir mais do que falar, pois ainda sou um pai muito inexperiente para desabafar qualquer coisa. Concentro-me em agradecer e aproveitar para cuidar e educar dessa criaturinha linda que recebi. Eu e Mme.F. estamos realmente muito felizes.

Outro assunto, preciso mudar o nomedo Blog! Não estou mais grávido!

Novo Vocabulário

Ter filho também é cultura…nessa aventura do mistério da vida que é ter um filho tenho incrementado os vocábulos do universo pueril. Vejam o diálogo que se seguiu no consultório do pediatra na primeira consulta da Mariana entre eu e Dr. Pedro Ângelo:

– Por favor, você poderia tirar a roupa dela? – Perguntou-me o Dr. Pedro.
– Ah…tá…- respondi meio sem jeito e tirei a roupinha.
– Nossa! A minha filha tá muito peluda nas costas! – observei.
– É assim mesmo. Isso é o Lanugo. Depois cai tudo. – Falou o Doutor como se aquilo fosse a coisa mais comum do mundo.
– Ah…tá… – respondi meio sem jeito.

Desconfiei. Essa cara tá mangando d’eu. Chegando em casa corri para o “Pai-dos-Burros”, vulgo Aurélio, para procurar o que era:

Lanugem [Do lat. Lanugine.] S.f.1. Pêlo fino que antecede a barba, buço. 2. P. ext. Pêlo fino, aveludado, penugem. 3. Bot. Pêlo macio que cobre algumas folhas e frutos. 4. Embr. Conjunto de pêlos finos que cobre o feto a partir de vinte semanas.

Considerando que não conto com a possibilidade da minha filha ter buço, certamente o Doutor estava se referindo ao quarto significado do Aurélio. Tá bom, é uma penugem fina, mas isso eu já sabia. O que persistia era a dúvida da perenidade da mesma na derme imaculada da minha filhinha.

Pesquisei na internet e, para meu conforto, o Lanugo cai. Vejam a definição:

O desenvolvimento dos pêlos começa no estágio embrionário e a partir do sexto mês o feto está coberto por pêlos finos e macios, o lanugo. Nos primeiros meses da infância, o lanugo cai, sendo substituído por pêlos caracteristicamente grossos sobre o crânio e nas sobrancelhas e finos e macios sobre o resto do corpo.

Portanto, resolvido isso, restou o novo vocábulo que aprendi, como muitos outros que ainda virão…prepare-se papai🙂



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