Na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na maminha e na…

Um fato curioso tem acontecido durante esse primeiro mês da Mariana. Mas não se refere a Mari e sim a Mme. F. Ela me fala que sente um desconforto quando amamenta. Para começar a Mari começa esfregando a boquinha até se acomodar no bico do peito. O processo no início demorava mais, mas agora ela logo se acopla e começa a mamar com todo aquele esforço. Depois de mamar ela fica muito engraçada, com aquela cara de que “deu onda” e um sorriso bobo no rosto. É muito divertido.

Bem, mas não é tão divertido para Mme.F. que sente arder um pouquinho. Ai que entra o fato curioso. Quando está amamentando e eu chego perto, ela tenta pegar o meu peito:

- Deixa eu fazer “alicatinho”, deixa? – diz Mme.F. com um olhar matreiro, com os dedos ameaçadoramente em forma de pinça.
- Pra quê? – falo eu, assustado.
- Pra você ver como é…o desconforto.
- Eu não. Ora, se você fala que tem desconforto eu acredito.
- Ah, não, na saude e na doença…lembra?

Aliás, parênteses, como eu li em um blog que não me lembro faz algum tempo, esse negócio de na alegria e na tristeza, na saúde e na doença não reflete bem as necessidades modernas…melhor seria se pensassemos em adequar as promessas matrimoniais para o mundo moderno, tais como:

  • Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora, e sim respeitar a individualidade do seu amado, lembrando sempre que ele não pertence a você e que está ao seu lado por livre e espontânea vontade?
  • Promete saber ser amigo e ser amante, sabendo exatamente quando devem entrar em cena uma e outra, sem que isso lhe transforme numa pessoa de dupla identidade ou numa pessoa menos romântica?
  • Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a se concretizar?
  • Promete sentir prazer de estar com a pessoa que você escolheu e ser feliz ao lado dela pelo simples fato de ela ser a pessoa que melhor conhece você e portanto a mais bem preparada para lhe ajudar, assim como você a ela?
  • Promete se deixar conhecer?
  • Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para sua falta de humor?
  • Promete que não falará mal da pessoa com quem casou só para arrancar risadas dos outros?
  • Promete que a palavra liberdade seguirá tendo a mesma importância que sempre teve na sua vida, que você saberá responsabilizar-se por si mesmo sem ficar escravizado pelo outro e que saberá lidar com sua própria solidão, que casamento algum elimina?
  • Promete que fará sexo sem pudores, que fará filhos por amor e por vontade, e não porque é o que esperam de você, e que os educará para serem independentes e bem informados sobre a realidade que os aguarda?

Isso sim seriam promessas adequadas, mas…e quanto o “alicatinho”?. Bem,  voltando ao tema, na confraternização do dia dos pais no final de semana o assunto veio à baila e a minha cunhada falou que fez a mesma coisa com o meu cunhado.

- É sim, dói um pouco, eu até tentei mostrar para ele como é! – Falou minha cunhada corroborando as atitudes de Mme.F. 

Essa coisa toda lembrou também a minha mãe. Meu pai sempre reclamou que ela quando achava algo com cheiro ruim, dizia: – Nossa, olha que cheiro ruim, cheira só?.  Obviamente ele não cheirava…mas a sensação de compartilhar o cheiro ruim dava um conforto para ela. Será que isso também se passa com Mme.F.? Que o fato de eu compartilhar o mesmo desconforto facilita para ela aceitá-lo? Não sou psicólogo, mas deve haver alguma explicação razoável para isso…se não houver, os psicólogos de plantão logo vão achar :)

Viu só, ser pai é isso também. Não diz respeito só a Mariana mas sim a tudo que a cerca. Coisas assim você só se atenta quando está no meio do processo. E, no meu caso, preciso me distanciar um pouco para entender a real dimensão e tomar as ações necessárias para dar todo o suporte às duas, mãe e filha. Esse suporte psicológico à Mãe é muito importante, e se reflete direto na Mari. Pois, nesse início de tudo, o humor de uma é o da outra.

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1 Response to “Na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na maminha e na…”


  1. 1 Rosimere Ribeiro novembro 7, 2012 às 10:06

    Adorei o texto… Penso eu que o parceiro e a parceira deveria mesmo experimentar o que o outro sente, só assim fortalecerá mais a união a cumplicidade que há entre eles. Bjs.


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